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Minha Casa Minha Vida retorna ao mercado imobiliário em 2023
O programa Minha Casa Minha Vida está vigente desde 2009 e, após a mudança de nome e regras em 2019, retornou como um possível aliado do mercado im...
14/04/2023 10h20
Por: João Paulo Carrilho Fonte: Agência Dino

O programa habitacional Minha Casa Minha Vida (MCMV) , ao longo de seus 14 anos de existência, se tornou importante para o mercado imobiliário brasileiro. Isso porque, de acordo com dados do Sistema de Gerenciamento de Habitação (SGH), investiu apenas entre 2009 e 2020, um total superior a R$ 163 bilhões em moradias.

Segundo dados do Governo Federal, o Minha Casa Minha Vida entregou cerca de 5,7 milhões de unidades até 2018. Contudo, passou por mudanças durante a gestão do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), quando passou a se chamar Casa Verde Amarela e entregou mais 1,6 milhões de moradias.

História do Minha Casa Minha Vida na política habitacional do Brasil

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O programa Minha Casa Minha Vida foi criado em 2009, durante o segundo mandato do presidente Lula (PT) e nasceu com o objetivo, segundo o governo, de combater o déficit habitacional no Brasil. Seu orçamento é oriundo do Ministério das Cidades e a gestão realizada pela Caixa Econômica Federal através de subsídios para a aquisição de imóveis.

Em fevereiro de 2023, em seu terceiro mandato como presidente, Lula relançou o programa, novamente com o nome original. Além disso, prometeu foco em inaugurar obras concluídas, com meta de entregar 90 mil casas até final de dezembro.

Segundo o CEO da Match Imob e consultor do ramo imobiliário, Mayron Pereira, “o Minha Casa Minha Vida ressignificou o acesso à casa própria para famílias de baixa renda. Afinal, através dele, foram oferecidos juros menores no financiamento de imóvel, o que possibilitou que o sonho da casa própria de muitos brasileiros saísse, em definitivo, do papel”.

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Principais impactos do MCMV na economia brasileira

Para a coordenadora de estudos da Construção Civil do Instituto Brasileiro de Economia (IBRE/FGV), Ana Maria Castelo, “o programa foi concebido para ser uma política anticíclica, para combater os efeitos recessivos de uma crise econômica.”

Por isso, é possível afirmar que contribuiu para impulsionar o mercado imobiliário brasileiro a partir da concessão de crédito a famílias com baixa renda. Além disso, ele foi responsável pela ampliação econômica do país nos três eixos seguintes.

Geração de empregos

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De acordo com dados da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), até 2018, as obras do Minha Casa Minha Vida geraram 3,5 milhões de empregos diretos. Ou seja, a média anual de vagas foi de 390 mil.

Arrecadação de impostos

Em uma apuração feita pelo Portal Uol, a partir de uma pesquisa encomendada pela Associação Brasileira de Incorporadoras Imobiliárias (Abrainc), estimou-se que o MCMV gerou, apenas nos 10 primeiros anos, um total de R$ 163,4 bilhões entre a arrecadação de impostos diretos e indiretos. Ou seja, isso significa um valor superior ao subsídio oferecido pelo programa aos beneficiários.

Impulsionamento no mercado imobiliário

Por fim, a mesma apuração citada acima apontou a relação entre o crescimento do mercado imobiliário e o programa Minha Casa Minha Vida. Como referência, pode-se perceber que apenas em 2018, ele foi responsável por 78% das unidades vendidas no Brasil. Além disso, representou 3 a cada 4 unidades habitacionais lançadas.

O que esperar do financiamento imobiliário do MCMV para 2023?

Antes da pandemia da Covid-19, em 2020, a expectativa do mercado imobiliário com o Minha Casa Minha Vida era de recuperação. Em um levantamento da FGV/Abrainc, foi detectado que a demanda por moradia no Brasil, naquela época, exigia a construção de cerca de 1,2 milhão de imóveis por ano para atender o déficit habitacional.

Quatro anos depois, o presidente da Comissão da Indústria Imobiliária (CII) da CBIC, Celso Petrucci, declarou em entrevista à Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip) o que considera o maior problema do atual cenário de financiamento de imóveis no Brasil.

Segundo ele, “hoje, a maioria dos bancos cobra taxa de dois dígitos pelo crédito imobiliário. Dois anos e meio atrás, a mediana era de 7% ao ano”. Mayron Pereira tem a mesma opinião, e acredita que “após a Taxa Selic sofrer as primeiras reduções desde setembro, quando atingiu o patamar de 13,75%, a tendência é que o mercado se aqueça”.

Além disso, o nosso formato do Minha Casa Minha Vida será importante nesta retomada do mercado imobiliário para pessoas com baixa renda. Afinal, no cronograma divulgado pelo Governo Federal sobre o programa, a renda bruta familiar para aderir ao MCMV reduziu para até R$ 8 mil mensais em áreas urbanas e R$ 96 mil anual para áreas rurais.

Mayron completa a expectativa do mercado considerando também requisitos que fazem parte do novo escopo do programa. “Mulheres responsáveis pelo lar, famílias com idosos, crianças, adolescentes e pessoas com deficiência, além de pessoas em risco de vulnerabilidade são contempladas com prioridade. Isso pode, mais uma vez, trazer um novo público para o mercado imobiliário que, até o momento, não teria acesso”, finalizou ele.