Economia Negócios
Ativos administrados dos consórcios atingem quase R$ 460 bilhões em 2022
A alta alta de 31,9% em relação a 2021 representa não apenas o sucesso crescente do sistema de consórcios, mas a importância do setor e desse indic...
30/05/2023 10h20
Por: João Paulo Carrilho Fonte: Agência Dino

O sistema de consórcios administrou ativos de R$ 459 bilhões em 2022. Essa é a somatória de todos os créditos contratados pelos consorciados ativos ao final daquele ano. A alta de 31,9% em relação a 2021 representa não apenas o sucesso crescente do sistema de consórcios, mas a importância do setor e desse indicador para a previsão de demanda do mercado consumidor. Muitos desses créditos ainda serão injetados no mercado quando mais consorciados forem contemplados.

A previsão de demanda é parte fundamental de uma das atividades rotineiras das empresas, governos e entidades: a elaboração do orçamento anual. Prever a demanda consiste em estimar o que possivelmente pode acontecer em períodos futuros e o que pode trazer impactos em pontos sensíveis da empresa, como a planificação da produção, o fluxo de caixa, entre outros.

“Por demanda entende-se a quantidade de bens ou serviços que o mercado consumidor deseja adquirir de acordo com os preços praticados. Portanto, demanda não é consumo efetivo, mas o desejo de consumir”, explica Luiz Antonio Barbagallo, economista da ABAC Associação Brasileira de Administradoras de Consórcios.

Continua após a publicidade

É aí que entram os dados do sistema de consórcios. Ao divulgar o balanço dos ativos administrados do setor, a ABAC apresenta de fato o indicador de demanda de bens e serviços que os consorciados pretendem comprar a partir do momento das contemplações e consequentes liberações de créditos.

Segundo dados levantados pela ABAC junto ao Banco Central do Brasil, a análise da evolução, ano após ano, desde 2014, aponta 188,7% de crescimento contra uma inflação acumulada no mesmo período de 73,2%, medida pelo IPCA e divulgada pelo IBGE Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, “ou seja, um crescimento real de 66,6% em nove anos”, conclui.

Em outra avaliação, ao relacionar os acumulados financeiros das contemplações, naquele período, verifica-se que, em média, 18,6% dos totais anuais dos ativos administrados foram disponibilizados aos consorciados para a aquisição de bens e contratação de serviços, visando usufrutos, obtenção de rendimentos, formação ou ampliação patrimoniais, entre outros.

Continua após a publicidade

Segundo Paulo Roberto Rossi, presidente executivo da ABAC, “esse percentual médio constata, apenas, que os objetivos pretendidos pelos participantes ativos comprovam que o planejamento para aquisição de veículos, máquinas agrícolas, motos, imóveis, entre outros, pela modalidade, seguem a essência da educação financeira”.

Pelo lado produtivo, o mesmo indicador sinaliza o impacto nas projeções das produções industriais como, por exemplo, nas automotivas. “Tais recursos impulsionam também o mercado imobiliário, com os créditos injetados nas construtoras, incorporadoras e imobiliárias”, segue Rossi. “No segmento de eletroeletrônicos e outros bens móveis duráveis a gama de produtos é infindável, isto sem falar no consórcio de serviços”, finaliza.

Ao concluir, Rossi aponta que “existe um componente fundamental em todo processo de planejamento: a projeção de cenários. Podem ocorrer mudanças no mercado, tais como explosão de consumo, recessão etc., contudo, a abrangência do Sistema de Consórcios, ao beneficiar a economia com fluxos contínuos de recursos, de certa forma, contribui para minimizar eventuais oscilações”.