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Governo e oposição na Venezuela assinam acordo eleitoral
Garantias para o pleito de 2024 pode fazer EUA retirar sanções
17/10/2023 21h50
Por: João Paulo Carrilho Fonte: Agência Brasil

O governo da Venezuela e sua oposição política concordaram, nesta terça-feira (17), em estabelecer garantias eleitorais para as eleições presidenciais de 2024 e medidas que, segundo eles, protegerão os interesses nacionais do país, abrindo caminho para o alívio de algumas das sanções impostas pelos Estados Unidos.

A eleição presidencial do país acontecerá no segundo semestre de 2024, afirma o acordo eleitoral, e observadores internacionais serão autorizados a monitorar a votação.

Cada lado pode escolher seu candidato de acordo com suas regras internas, mas o acordo não reverteu as proibições impostas a algumas figuras da oposição – incluindo Maria Corina Machado, líder das primárias que serão realizadas no próximo domingo – que as impedem de ocupar cargos.

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A oposição afirmou que as proibições, impostas pelo controlador-geral, são ilegais e Washington rejeitou quaisquer obstáculos aos candidatos da oposição.

Mas Jorge Rodríguez, chefe da delegação do governo, disse, em entrevista coletiva, após a assinatura, que se existe uma decisão do controlador-geral da República. “Você não pode ser candidato, quero esclarecer isso”.

Falando antes de Rodríguez, o chefe da delegação da oposição, Gerardo Blyde, disse que o acordo poderia permitir que candidatos banidos "recuperem seus direitos".

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A reunião de terça-feira em Barbados entre o governo e a oposição foi a primeira em 11 meses.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva elogiou na plataforma X (antigo Twitter) a assinatura do acordo.

"Saúdo a assinatura dos Acordos para Promoção dos Direitos Políticos e Garantias Eleitorais e para Garantia dos Interesses Vitais da Nação entre o governo da Venezuela e a oposição no país", escreveu Lula, ressaltando a participação brasileira e de representantes de outros países. Celso Amorim, assessor especial de Lula, estava em Barbados.

Sanções norte-americanas

Espera-se que os acordos permitam algum alívio das sanções dos EUA relacionadas ao petróleo.

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Os Estados Unidos há muito dizem que suspenderiam algumas das sanções impostas ao governo do presidente venezuelano, Nicolás Maduro, em troca de concessões democráticas do presidente.

A Casa Branca não respondeu imediatamente a um pedido de comentário.

As negociações têm o objetivo de proporcionar uma saída para a longa crise política e econômica da Venezuela.

Maduro, presidente desde 2013, deve concorrer à reeleição, mas ainda não formalizou a sua candidatura. Seu governo proibiu a candidatura de figuras importantes da oposição.

Se o acordo entre o governo e a oposição for aprovado em Washington, espera-se que o governo do presidente dos EUA, Joe Biden, anuncie uma flexibilização limitada, mas significativa, das sanções, segundo fontes norte-americanas.

As fontes dos EUA, no entanto, disseram que qualquer alívio das sanções seria reversível se Maduro não cumprir os seus compromissos eleitorais. As receitas do petróleo são fundamentais para a economia da Venezuela, um país-membro da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep).