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Níveis dos reservatórios das hidrelétricas estão acima do registrado em 2021
Segundo o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), a previsão é que os níveis de água nos reservatórios do Sudeste/Centro-Oeste fiquem em 49,2%...
20/09/2022 10h25
Por: João Paulo Carrilho Fonte: Agência Dino

A ocorrência de chuvas no país tem garantido um melhor nível de água nos reservatórios das hidrelétricas brasileiras, ao contrário do que ocorreu em 2021. De acordo com o boletim do Programa Mensal de Operação (PMO), divulgado pelo Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), a estimativa é que o armazenamento de água nas hidrelétricas do subsistema Sudeste/Centro-Oeste fique em 49,2% no mês de setembro. Ano passado, esse nível ficou em 14,9%.

Para o Norte, Nordeste e Sul, a expectativa é que os níveis dos reservatórios atinjam 78,6%, 66,5% e 90,7%, respectivamente. No ano passado, no mesmo período, o nível para esses subsistemas foi de 63%, 40,3% e 31%, respectivamente. A chamada Energia Natural Afluente (ENA), que é a quantidade de água que chega na usina e pode ser transformada em energia, deverá atingir, até o final deste mês, segundo o ONS, percentuais superiores aos de 2021.

Com a folga nos níveis de água, o pleno funcionamento das usinas fica dependendo de sua manutenção, seguindo uma rotina minuciosa e que requer bastante planejamento das empresas que as administram. De acordo com o engenheiro mecânico Helio Henrique Martins Souza, as manutenções são planejadas de forma a reduzir o impacto na disponibilidade de energia elétrica ao país.

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“Normalmente acontecem em período de seca, pois assim, como a vazão nos rios é menor, pode-se desligar uma unidade, deixando que a outra consuma toda a água disponível, sem prejuízos à geração”, explica.

Ele enfatiza que as manutenções são divididas em duas categorias: corretivas e preventivas. A primeira ocorre quando se identifica um defeito na máquina, que precisa ser corrigido em médio ou curto prazo.  “Pode acontecer em qualquer época do ano e a duração depende muito da severidade do defeito encontrado. Já a preventiva, é a manutenção com maior previsibilidade, focada na conservação das máquinas e prevenção de defeitos”, explica.

Helio Souza ressalta que, em relação à periodicidade, as manutenções preventivas são realizadas anualmente ou a cada três anos, a depender do caso. “A primeira é uma manutenção curta, pouco invasiva, onde é feito a filtragem de óleo lubrificantes, limpeza de trocadores de calor, painéis elétricos, dispositivos de manobras no circuito elétrico e inspeções gerais que não demandem muita desmontagem. Já a segunda, tem uma duração maior e, por consequência, maior nível de desmontagem dos componentes”, detalha.

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O profissional acrescenta que, além de todo o escopo das manutenções anuais, é feita uma inspeção detalhada de peças como o rotor da turbina e do gerador, mancais, comportas, transformadores, dispositivos de manobras elétricas e painéis. Sistemas de proteção e controle da máquina também são todos testados e ajustados nessa manutenção.

Segundo Souza, todo o processo de manutenção passa por um planejamento minucioso, com o levantamento da necessidade das atividades, estudo dos manuais de fabricantes, normas técnicas relacionadas, mão de obra envolvida, sobressalentes necessários e, por último, as negociações para o melhor momento para a atividade.

“Essas negociações têm o objetivo de reduzir o tempo de gerador parado, minimizar o impacto na geração de energia e, sobretudo, garantir a segurança dos trabalhadores, da população no entorno da usina, a segurança da instalação propriamente dita e a preservação do meio ambiente”, conclui ele, que desempenha há 16 anos as funções de Técnico e Engenheiro Mecânico, sendo oito deles atuando em usinas hidrelétricas.

Médias de Longo Termo maiores em todos os subsistemas em setembro de 2022

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Segundo as estimativas do ONS, percentuais de água que pode ser transformada em energia quando chega na usina, também conhecida como ENA, foram superiores neste mês, em comparação com o mesmo período do ano passado. De acordo com o órgão, no subsistema Sudeste/Centro-Oeste, a estimativa é fechar setembro com 67% da Média de Longo Termo (MLT), ante os 59% de 2021.

Já no Norte, a expectativa é que se atinja 79% da MLT, contra 77% no ano passado. No Nordeste, a média esperada é de 65% contra 46% e, no Sul, a previsão é atingir 116% da MLT, ante os 76% do ano anterior.

Ainda de acordo com o boletim do ONS, a projeção de carga no Sistema Interligado Nacional (SIN) para este mês é de 68.667 de carga própria de energia (MWmed), o que corresponde a 2,9% a menos do que foi projetado no mesmo período de 2021.  O Norte segue apresentando aumento na projeção de carga, com alta prevista de 6,2% (6.738 MWmed).

Para o Sudeste/Centro-Oeste, a projeção é um recuo de 3,2% (39.478 MWmed), entre setembro de 2022 e de 2021. Para a região Sul, a redução é estimada em 0,9% (11.601 MWmed) e, para o Nordeste, a desaceleração projetada é de 8,5% (10.850 MWmed).